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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

AS PROFECIAS SÃO CÍCLICAS?



Por: Erivelto Soares

Esse estudo é um pedido cordial de um amigo também Preterista Omar Guilherme de Campo Grande - MS.  Ao apresentar as evidencias Bíblicas do Preterismo Completo sobre as questões escatológicas a um grupo de amigos de certa comunidade Evangélica, ele se deparou com um argumento pra lá de inusitado. Ele relatou que o líder daquela comunidade disse que as Profecias são cíclicas impossibilitando assim uma definição de seu cumprimento. Foi então em resposta desse questionamento venho escrever esse pôster.

Vejamos; Na busca desenfreada de refutar o preterimos completo como o único meio fiel de interpretação das profecias Bíblica, surge no cenário evangélico o conceito cíclico das Profecias. Esse conceito diz que as Profecias estão sempre se repetindo, alegando que tudo que aconteceu há de ser novamente um dia, ou seja, pressupondo que toda a profecia do Apocalipse embora tenha acontecido (Considerando a Posição Bíblica do Preterismo Completo), Acontecerá novamente. Não precisamos ir muito longe para ver que isso é uma tese liberal das Profecias e um insulto a suficiência das Escrituras. Mais antes de tudo vamos conhecer um pouco dessa tese liberal, pra isso é preciso estudar a questão do tempo.

                         COMO SURGIU A IDEIA CÍCLICA DE TEMPO?
A perspectiva linear de tempo nasceu com a tradição judaico-cristã. O tempo linear é uma sucessão contínua de eventos irrepetíveis e irreversíveis. O seu movimento é retilíneo – reta ininterrupta de registros históricos singulares. Sendo uma linha, o tempo linear é finito. A sua trajetória é circunscrita por uma linha histórica determinada – tem começo e fim. Como traço histórico perpétuo, o tempo linear é uma série evolutiva de fatos históricos inéditos. Trata-se do curso progressivo de acontecimentos únicos em direção ao futuro. Por fim, o tempo linear é dotado de significado. O seu desdobramento de momentos inalteráveis é orientado por um propósito final (télos). Ou seja, todos os eventos possuem sentido na medida em que ocorrem em vista de uma finalidade última.
Em contraposição ao conceito temporal linear, os gregos primitivos propunham uma ideia cíclica de tempo. Sem começo nem fim, o tempo cíclico é um eterno retorno. Uma vez que nenhum evento é absoluto, o tempo cíclico repousa na permanente sequência de ciclos repetitivos. O seu movimento circular contínuo é caracterizado pelo perpétuo retorno de momentos. Isso significa que a história não comporta nenhum fato singular. Pelo contrário, a história é marcada pela reedição de acontecimentos passados. Portanto, o tempo para os gregos antigos não passa de um círculo inexorável – sem saída e sem fim. Tudo está condenado a girar eternamente na roda da história.
Podemos ver que o pensamento cíclico é um pensamento filosófico criado pelos gregos e que se opõe a definição cristã do tempo. No livro A história no pensamento de Karl Marx (O filósofo de grande influencia do século XIX, O idealizador do comunismo) ele tratando da questão do Desenvolvimento e devir ele declarou essa ideia dizendo: O devir temporal se refere ao surgimento das forças produtivas, portanto, às mudanças nas relações dos homens com a natureza, podendo ser pensado como linear sucessivo e contínuo. O desenvolvimento imanente de uma forma histórica se refere à reflexão realizada pelo modo de produção ou o movimento cíclico pelo qual retoma seu ponto de partida para repor seus pressupostos. No entanto, justamente porque se trata de uma reflexão realizada pela forma histórica, o retorno ao ponto de partida o altera, de maneira que o desenvolvimento não é um eterno retorno do mesmo e sim dialético, atividade imanente transformadora que nega a exterioridade do ponto de partida ao interiorizá-lo para poder conservar-se e, ao fazê-lo, põe uma nova contradição no sistema. (A história no pensamento de Marx. En publicacion: A teoria marxista hoje. Problemas e perspectivas Boron, Atilio A.; Amadeo, Javier; Gonzalez, Sabrina. 2007 ISBN 978987118367-8)
Então, podemos identificar o pensamento cíclico das profecias como uma tese filosófica baseada no pensamento liberal do século XIX. Não há subsídio Bíblico para sustentar tal tese, visto que os mesmos negam a suficiência das Escrituras e a fé em Deus.

                    A BÍBLIA E O PENSAMENTO CÍCLICO DAS PROFECIAS
Para defender tal tese, os adeptos dessa corrente filosófica argumentam que o livro de Isaías sustenta o pensamento da profecia cíclica! Eles dizem que Ciro cumpriu o que Jesus mais na frente veio a recumprir. Ou seja, a tese das profecias cíclicas é uma tese que declara que as profecias podem ter duplo, quádruplo, quíntuplo....cumprimento.
É importante saber que a profecia precisa ter um cumprimento claro, isto é, é preciso que se seja capaz de ver uma relação clara entre a profecia e o evento que supostamente a cumpre. Alguns homens fazem "profecias" que são enquadradas numa tal linguagem geral que permita o cumprimento por um grande número de eventos futuros, antes que por um algum evento explícito. A linguagem da profecia precisa não ser ambígua nem enganosa, para que seu cumprimento seja claramente reconhecível.

              ENTENDENDO A QUESTÃO DA PROFECIA SOBRE O REI CIRO.
O Rei Persa Ciro, foi comissionado por Deus para libertar o povo judeu: “Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações diante de sua face, e destingir os lombos dos reis, para abrir diante dele as portas, e as portas não se fecharão” (Isaías 45:1). Neste acontecimento, o rei Ciro foi um tipo profético de Cristo ao exercer o simbólico papel de libertador.Deus em sua sabedoria também determinou que por ordem de Ciro o templo dos judeus e a própria cidade de Jerusalém fosse reconstruída (Isaías 44.28). O interessante foi que sua mãe antes de casar teve um sonho... “dela sairia uma torrente de água tal que não só encheu a capital como inundou a Ásia inteira.” (Heródoto) Quando Mandana, futura mãe de Ciro estava grávida, o rei Astíages, pai de Mandana teve um sonho em que viu: “Uma videira nascia do ventre da sua filha e que essa videira cobria toda a Ásia.” Leitura Bíblica: Isaías 44.21-25; 45.1-4; Daniel 10.1; II Crônicas 36.22-23; Esdras 1.1-11
Quando Ciro nasceu, o avô mandou um soldado leva-lo ao campo e matá-lo, este, com pena da criança, o deu a um pastor de ovelhas para executar a criança, mas este também não cumpriu a ordem. Quando Ciro cresceu, ele mesmo conquistou o trono do rei Astíages, que era o seu avô!!!
Ciro começou suas campanhas de conquistas militares. Como Persa ele havia conquistado a Média, e agora viria pela frente a Lídia, Ásia Menor, Esparta e a gloriosa Babilônia. Os historiadores concordam que Ciro foi um grande homem que não teve a história manchada com violência brutal, pois essas coisas eram comum aos déspotas cruéis e que foram absolutamente estranhas para Ciro. Ele astuto e compreensivo que lhe garantiu o apreço e respeito até dos povos conquistados. A maior conquista de Ciro foi a Babilônia. Pelo que a Bíblia registra não houve um cerco de vários meses, nem batalhas sangrentas, mas que a cidade mais fortificada do mundo antigo caiu em apenas uma noite sem oferecer quase nenhum resistência. Um sacerdote pagão chamado Borosus narrou assim a conquista de Ciro sobre a Babilônia: “No ano 17 de Nabonidor, Ciro veio da Pérsia com um grande exército, e tendo conquistado todo o resto da Ásia chegou apressadamente a Babilônia. Assim que Nabonidor percebeu que ele vinha ataca-lo, pôs-se em fuga com os seus cortesãos, encerrando-se na cidade de Borsipa. Neste tempo, Ciro tomou a Babilônia e ordenou que os muros externos fossem demolidos por serem causas de grandes dificuldades para tomada da cidade. Em seguida marchou para Borsipa para cercar a Nabonidor, porém, Nabonidor se entregou em suas mãos. Ciro o tratou benignamente, exilou-lhe da Babilônia e deu-lhe habitação na Carmânia, onde passou o resto da sua vida até a morte.” (Contra Apiom 1.20) No livro de Daniel capítulo 5 diz que Belsazar era rei, mas por direito a sucessão ao trono de quem de fato reinava, que era o seu pai, Nabonidor. Por isso ele ofereceu o terceiro lugar do reino(Daniel 5.29). Heródoto escreveu com detalhes a invasão dos Persas e Medos na Babilônia, segundo Heródoto, Ciro mandou desviar o curso do rio Eufrates que passava por dentro da grande cidade da Babilônia, portanto, no dia em que todos estavam em festa, bebendo e despreocupados, Ciro abriu as comportas d’água, desviando alguns quilômetros da cidade o curso do rio, e no lugar onde passava o rio havia agora um vão por onde eles entraram na cidade.
A política de tolerância religiosa fez de Ciro um salvador terreno para os judeus, mesmo não sendo Ciro um filho de Deus, pois Isaías diz:

“Ainda que (Ciro) não me conheças (Isaías 45.4).” Foi ele quem autorizou a volta dos judeus para Israel. Ele mesmo escreveu em um cilindro babilônio:
“Quando entrei pacificamente na Babilônia libertei os habitantes da Babilônia do jugo que não lhes convinhas. Melhorei suas habitações arruinadas, livrei-os dos seus sofrimentos, eu sou Ciro, o rei da coletividade, o grande rei, o rei poderoso, rei da Babilônia, rei dos sumérios e dos acádios. Rei dos quatro canto do mundo, sim, o rei dos céus e da terra com os seus sinais favoráveis entregou em minhas mãos as quatro regiões do mundo. Restituí os deuses, os seus santuários.” Os fatos narrados na Bíblia são idênticos aos narrados pelos historiadores seculares, portanto, não crer na Bíblia, equivale a negar a história da humanidade.Então veja; Ciro é um tipo de Cristo, Como libertador Jesus veio em missão de uma superior libertação! Não podemos entender que Jesus veio repetir a profecia que Isaías fez sobre a missão do Rei Ciro. O Rei Ciro foi levantado em uma missão peculiar a de Cristo, sendo que Cristo com missão superior. Fica exclarecido que o pensamento de profecia cíclica  é uma tese completamente liberal das escrituras onde não há fundamento.  
Outra coisa importante é que toda profecia se cumpriu em 70 d.C! Está bem registrado em Lucas 21:20-22, “Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação. Então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes; os que estiverem dentro da cidade, saiam; e os que estiverem nos campos não entrem nela. Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas. O texto deixa claro que quando Jerusalém estivesse destruída tudo o que estava escrito se cumpriria e se cumpriu. Jesus veio nas nuvens do céu, estabeleceu seu trono de glória, Reina Soberano, vivemos debaixo do novo céu e nova terra, pois se diz respeito a aliança e não pode ser entendido literalmente. Então, O conceito de uma profecia cíclica é completamente falso! A história não é cíclica coisa nenhuma, assim como não é cíclico o curso de nossas vidas, pois nascemos, crescemos, vivemos e morremos, e estes eventos nunca tornarão a se repetir. O argumento de que a História seria cíclica chega mesmo a ser infantil, pois se estima que por volta do século I DC, a humanidade contava com cerca de 250 milhões de pessoas sobre a terra, e hoje há mais do que 6 bilhões e 500 milhões de pessoas sobre a face do planeta, e isto não poderia jamais ser o resultado de eventos cíclicos. O que vemos na multiplicação da humanidade, desde o dilúvio, é uma progressão crescente, inabalável e persistente do nascimento de seres humanos. Uma evidência de que a História não é cíclica. Impérios surgiram e desapareceram como a Grécia e o Império Romano, e o que veio após eles não possui nada de cíclico, a começar pelo avanço das ciências, a ocupação dos espaços inabitados da terra, a extração de recursos do subsolo, as mudanças nas economias das nações e até mesmo a extinção irreversível de criaturas da natureza. Até mesmo os modos de governo dos povos não possuem nada que possa caracterizar a História como uma sequência de eventos cíclicos. Até mesmo o vulcão Vesúvio, na Itália, é testemunha de que nunca jamais surgiu nada que pudesse se comparar à cidade de Pompéia que ele destruiu. Pompéia se foi, a cultura de então mudou, suas ruínas seguem em processo ininterrupto de decomposição e estas coisas nada têm de cíclicas.

Pra encerrar vemos o texto de Mateus 24:21 “Porque haverá então uma tribulação tão grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá”.
A tribulação que resultou nas ruinas de Jerusalém narrada de forma sistemática em Apocalipse nunca houve e jamais haverá! Isso é fato; Por isso que o Preterimos Completo por mais que seja difícil de entendimento, porém é o mais excelente meio pela qual possamos entender o cumprimento das Profecias. 

                                                      SOLI DEO GLORIA






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